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O que está causando mudanças climáticas extremas no Brasil?

17 / 03 / 2020 Fique por Dentro

No início deste ano de 2020, assistimos perplexos o grande volume de chuvas caindo na região Sudeste do Brasil, atingindo os Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. O que chama a atenção é o tamanho das enchentes e do impacto que isso causa no cotidiano das pessoas: alagamento de ruas, casas, enxurradas e deslizamento de encostas.

Extremos de chuva estão virando tendência em todo o mundo, caindo de forma mais violenta e frequente. Esses eventos são relacionados a alterações do clima, mas podem ter relação, também, às nossas cidades, uma vez que a remoção de áreas verdes e florestas cria um microclima em zonas urbanas, o que nos deixa menos protegidos para chuvas violentas.

Conforme dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), que acompanha dados meteorológicos no Brasil por mais de 100 anos, extremos climáticos estão cada vez mais comuns. Entre o ano 2000 e 2019 foram 19 dias com chuvas fortes (mais de 100 mm por dia), enquanto de 1980 a 1999, 5 dias tiveram chuvaradas, já nas décadas de 50 a 70 apenas em 3 ocasiões tiveram precipitações nessas proporções.

O que se observa, de forma geral, no clima do Brasil, é que dias sem chuvas estão mais frequentes também. No ano de 2012, São Paulo registrou 51 dias seguidos sem chuvas. Neste ano, no ápice da estiagem, o Rio Grande do Sul enfrenta grave períodos de seca e registra municípios há mais de 20 dias de sol seguidos.

Para corroborar com esse comportamento climático, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) em 2018 lançou um relatório que confirma o aumento na frequência, intensidade e quantidade de chuvas intensas em diversas regiões tropicais, e um aumento da intensidade ou frequência de secas em outras regiões.

Em casos de maior volume de chuvas, os rios e arroios naturalmente transbordam suas margens, num processo natural nas planícies de inundação. Essas regiões têm a função de dissipar e absorver lentamente o excesso de água quando os rios voltam ao seu leito normal. Porém, nossas cidades são construídas ao longo ou em cima de rios que foram retificados, ou seja, tiveram seu trajeto limitado por aço e concreto, com a alteração dos leitos naturais dos córregos.

Com a urbanização das cidades, áreas menores de infiltração, pavimentação de ruas, prédios e casas, a quantidade de água que aglomera é muito maior do que no passado, uma vez que as canalizações são insuficientes para escoar toda a água que demandamos, além da constante remoção de áreas verdes, que possuem papel fundamental na absorção das chuvas que caem no solo.

Soma-se a isso o descarte irregular de lixo por parte da população, entupindo bueiros que seriam responsáveis por conter parte da água e escoar até os rios. Além de entupir a canalização, os resíduos carregados durante as enchentes contribuem para disseminação de doenças e aumento do nível dos córregos.

Compreender os riscos das mudanças climáticas é fundamental para as nossas cidades, que precisam se antecipar e se preparar de forma mais sustentável. Se faz necessário planejarmos cidades mais resistentes a extremos climáticos e fazer a gestão a longo prazo dos resíduos, do planejamento urbano, áreas verdes e canalização de córregos.

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