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Rios voadores: como a floresta amazônica influencia o clima do Sul e Sudeste do Brasil?

02 / 05 / 2020 Curiosidades

Rios voadores é um termo popular usado para definir os fluxos aéreos de grandes quantidades de água, oriundos da região amazônica e que alimentam em diferentes proporções as chuvas da América do Sul.

A transpiração da floresta e a evaporação que vem do oceano atlântico forma o que chamamos de rios voadores. Apesar de invisíveis, eles carregam mais água que os rios correntes na região. Cruzam a região norte, batem na Cordilheira dos Andes e descem na direção sul, garantindo chuvas e regularidade hídrica para boa parte do Brasil e países da América do Sul.

A Floresta Amazônica é um dos locais de maior concentração de água doce do mundo, dados apontam que mais de 10% de toda água doce superficial encontra-se na região. Além de ser a maior floresta tropical de nosso planeta, apresenta influência marcante no clima de quase todo o continente americano.

O grande volume hídrico, associado ao grande volume de precipitações (acima de 1.500 mm) e ao calor equatorial, permite uma grande concentração de umidade no ar, seja proveniente de chuvas, transpiração de plantas ou evaporação das massas de água.

Fortes ventos a mais de 2.000 metros de altura empurram essa massa de água, que rapidamente corre por cima da Amazônia, ao se encontrar com a barreira física da Cordilheira dos Andes, são direcionados para o Sul do Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai e se espalha em forma de chuva, onde também se combina com frentes frias vindas do Sul do continente.

Não se pode precisar quanto da chuva que cai em nossos telhados é proveniente desses rios voadores, pois temos outros contribuintes para as chuvas locais, como frentes frias, evaporação e transpiração da vegetação local.

Qual o potencial de chuva gerado pela Floresta Amazônica?

Pesquisadores ligados ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), estimam que na Amazônia, cada árvore consiga lançar até quatro litros de água por metro quadrado, proveniente da transpiração diária.

Calcula-se que cada árvore do dossel da floresta tropical tenha copas de até 20 metros de diâmetro, podendo lançar até 1.000 litros de água na atmosfera por dia, em períodos quentes e de grande umidade.

Sabe-se por vários inventários florestais e pesquisas realizadas, que existem cerca de 400 bilhões de árvores na Amazônia, com um incrível potencial de irrigar a atmosfera com mais de 20 trilhões de litros de água em forma de gotículas e vapor de água, expelidos pelos poros das folhas, ao dia.

Toda esta umidade em forma de nuvens atinge milhões de pessoas pelas regiões que passa, garantindo recomposição dos lençóis freáticos, abastecendo bacias hidrográficas e favorecendo a agricultura e o alimento que consumimos diariamente.

Aliado às mudanças climáticas, os rios voadores podem ter sua continuidade prejudicada, tendo grandes volumes de chuva em algumas regiões e poucas precipitações em outras, perdendo a sua regularidade e enfatizando ainda mais a sua importância.

Na próxima chuva, pense que aquela gota de água pode ter percorrido mais de 3.000 quilômetros, desde a sua evaporação até cair no seu telhado. A floresta em pé representa a continuidade e segurança hídrica de milhões de pessoas em nosso continente.

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