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Falta de água: escassez de chuvas ou ausência de planejamento?

28 / 04 / 2020 Fique por Dentro

De forma cada vez mais comum estamos vivendo períodos de escassez de água, prejudicando culturas agrícolas, criações de animais e, consequentemente, racionamento de água em áreas urbanas e rurais.

A região de São Paulo viveu uma grande crise hídrica nos anos 2014 e 2015, quando os reservatórios usados no abastecimento humano chegaram a operar no volume morto (volume de água que fica abaixo das bombas de captação de água).

Os estados do nordeste enfrentaram a pior seca dos últimos 100 anos entre 2013 e 2018, mesmo sendo um fenômeno natural no bioma, a falta de chuvas ocorreu no período das águas (novembro a maio), época em que chove regularmente e proporciona o abastecimento de corpos hídricos para cultivares agrícolas, criação de animais e abastecimento humano ao longo do ano todo.

Nesse ano, a região Sul, principalmente o estado do Rio Grande do Sul, enfrenta forte seca desde o fim do ano de 2019 e o cenário não deve melhorar nas próximas semanas, conforme previsões da MetSul Meteorologia, o outono é a estação mais seca nos estados do Sul do Brasil.

Porém, a falta de chuva não é o grande problema de São Paulo e do Rio Grande do Sul, estados onde a média de chuvas ao longo do ano é superior a 1.300 mm por ano, o mesmo que mais de 100 litros de água por metro quadrado a cada mês, conforme dados do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia).

Ambas as regiões apresentam boa vazão pluviométrica e possuem grandes rios ou represas para o abastecimento de seus habitantes, mas o cenário é igual também na falta de planejamento para abastecimento de suas populações.

A demanda de oferta de água deve ser planejada com no mínimo 25, 30 anos de antecedência, levando em conta o tamanho da população, taxa de urbanização, crescimento da cidade e aumento no consumo per capita. Em épocas de crise e desabastecimento somente são possíveis medidas emergenciais, sem grandes impactos a longo prazo.

Outro fator muito crítico nessas regiões e no Brasil como todo é a imagem de abundância de água e que é um bem barato, que não possui valor. Em comparação com outros países, pagamos realmente muito barato no fornecimento de água, mesmo com todos os problemas de desperdício enfrentados.

Segundo dados da Agência Nacional de Águas e da Organização das Nações Unidas, o consumo de água no país e no mundo tem este cenário:

  • 110 litros – recomendado pela ONU como necessidade diária para cada pessoa
  • 166 litros – consumo per capita de água no Brasil
  • 152 litros – consumo de água por habitante/dia no RS (14º maior do país)
  • 15% - índice aceitável de desperdício e perdas de água, conforme a ONU
  • 37% - índice de desperdício de água no Brasil

Os números mostram que apesar das secas esporádicas que enfrentamos e que ficaram mais frequentes com as mudanças climáticas, de forma geral, usamos mais água do que o recomendado, gerando assim o desperdício e nosso índice de perdas em vazamentos e usos indevidos é mais de duas vezes superior do que o recomendado.

Períodos de estiagem podem existir (e existirão com mais frequência), precisamos cada vez mais valorizar esse bem não – renovável, que é fundamental para todas as formas de vida. Usando de forma racional e com planejamento futuro diminuímos consideravelmente o risco da falta de água nos afetar.

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